PRINCIPAIS ATIVIDADES DA NICHIREN SHOSHU

 As atividades e cerimônias realizadas todos os anos têm como objetivo transmitir corretamente o profundo Budismo e ao mesmo tempo visar o avanço do Kossen-Rufu (Propagação do Ensino em todo mundo), com a participação dos Clérigos e Adeptos nessas atividades e ainda o estreitamento das relações com o ensino Budista.


Eventos  -  Observações

Cerimônia de Ushitora Gongyo (todas as manhãs) apenas no Templo Principa

Gongyo de Ano Novo (dia 1º de janeiro)

Cerimônia de Setsubun-Ê (dia 3 de fevereiro) 
Cerimônia de Kôshi-Ê (dia 7 de fevereiro) 
Cerimônia de Aniversário do Fundador (dia 16 de fevereiro) 
Cerimônia de Higan-Ê de primavera (Dia do equinócio de primavera) 
Cerimônia de Aeração de Tesouros do Budismo (dias 6 e 7 de abril) apenas no Templo Principal 
Cerimônia de Estabelecimento do Budismo (dia 28 de abril) 
Cerimônia de Daigyô-Ê (dia 1º de maio) 
Cerimônia de Urabon-Ê (dias 15 de julho ou 15 de agosto) no Templo Principal é no mês de agosto 
Cerimônia de Kanshi-Ê (dia 19 de agosto) apenas no Templo Principal 
Cerimônia de Gonan-Ê (dia 12 de setembro) 
Cerimônia de Higan-Ê de outono (dia de equinócio de outono) 
Cerimônia de Oeshiki (em outubro e novembro, nos templos) 
Cerimônia de Mokushi-Ê (dia 15 de novembro) 
Cerimônia de Gotai-Ê (dias 20 e 21 de novembro) apenas no Templo Principal 



 

  Ushitora Gongyo é uma cerimônia na qual o Sumo Prelado realiza todas as manhãs o gonyo de 5 orações no horário de Ushitora (equivalente ao período de 2 às 4 horas da manhã) em Kyakuden do Templo Principal Taissekiji.
  O Segundo Sumo Prelado Nikko Shonin estabeleceu o Templo Taissekiji e deixou um documento “Nikko-Ato Jôjô-no-Koto” com a seguinte citação: “Seja o salão, seja o cemitério de Taissekiji, Nitimoku deve administrá-los e realizar os reparos neles, fazendo o Gongyo, deve esperar a chegada do Kossen-Rufu.”  Desde então, os sucessivos sumos-prelados vêm mantendo a rigor essa tradição e, durante os 700 anos, em nenhum dia essa cerimônia foi negligenciada e a oração pela concretização do Kossen-Rufu continua sendo realizada.


 



  No dia 1º de janeiro, são celebrados diversos eventos desde os tempos primórdios, sendo considerada  a data mais importante do ano e que possui um profundo significado.
  Nitiren Daishonin nos cita na Escritura “Resposta ao Suserano Akimoto” (Akimoto Dono Gohenji): “Levando em consideração a ordem das Cinco Estações dos Festivais, podemos dizer que elas correspondem respectivamente aos Cinco Caracteres de Myoho-Rengue-Kyo.  O Ano Novo celebra o festival que se resume num único ideograma “Myo”, literalmente Místico.” (Shimpen pág. 334).  A cerimônia do Gongyo de Ano Novo realizada na NIchiren Shoshu é feita com o mais profundo significado.
  Daishonin nos menciona em “Sobre o Oferecimento de Mushi Moti” (Mushi Mochi Gosho), como segue: “O Ano Novo marca o primeiro dia e o primeiro mês do ano, como também o início do ano e da primavera.  Uma pessoa que celebra essa data, irá evidenciar a virtude e ser amada por todos, tal como a lua se torna gradualmente cheia, deslocando-se do oeste para leste e o sol brilha mais intensamente, movendo-se do leste para oeste.” (Shimpen pág. 1551)  Essa passagem nos ensina sobre a manifestação de benefícios para quem dá importância ao início do ano.
  No Templo Principal Taissekiji, o evento é celebrado sob a liderança do Sumo Prelado, o Grande Mestre, de forma solene e magnificentemente com a participação dos reverendos de todo o Templo Principal e ainda com a presença de grande número de adeptos que residem nas proximidades.  O objetivo é orar pela concretização do Kossen-Rufu em retribuição aos débitos de gratidão aos Três Tesouros da Semeadura e pela paz mundial com base nessa oração como também pela felicidade de toda a humanidade, e, ao mesmo tempo, orar pela segurança e boa saúde dos adeptos da Verdadeira Lei durante o ano.  Depois, temos a Mensagem de Ano Novo do Sumo Prelado, além da desgustação do saquê oferecido no santuário.  É dessa forma que é celebrado o Ano Novo.  Tendo isso como exemplo, também é realizado o Gongyo de Ano Novo com a presença dos adeptos em todo os templos no Japão.


 



  É uma cerimônia realizada no dia 7 de fevereiro, a data do falecimento de Nikko Shonin e é um evento celebrado solenemente não apenas no Templo Principal como também em todos os templos do país.  O motivo pelo qual se realiza a cerimônia é para os Clérigos e os Adeptos retribuirem sinceramente os débitos de gratidão a Nikko Shonin por ter sucedido o senso de justiça do Budismo desde a época de Nitiren Daishonin e ainda por ter transmitido a chama de forma correta às próximas gerações.  
  Nikko Shonin recebeu a Transmissão da Veia Vital de todos os ensinos Budistas de Nitiren Daishonin em setembro do quinto ano Kôan (1282).  Além disso, em 13 de outubro, ele sucedeu também em outra função como o Reverendo Prior do Minobu Kuonji.
  Após a morte de Nitiren Daishonin, os Cinco Bonzos Seniores da região de Kantô (eram Seis Principais Discípulos de Nitiren Daishonin, excluindo Nikko Shonin), temendo o poder do governo, negligenciaram na prática e cometeram inúmeras calúnias à Lei indo contra os mestres, aos poucos foram perdendo o senso de justiça de Daishonin, ao  passo que Nikko Shonin não distorceu nem um pouco sequer as doutrinas, como também protegeu a essência do Budismo.
  O fato do proprietário da área de Minobu, Hagiri Sanenaga, ter agido continuamente contra o Budismo, na primavera do segundo ano Sho-ô (1289), Nikko Shonin levou o Dai-Gohonzon consagrado no Supremo Santuário do Portal Original e todos os preciosos Tesouros do Budismo, ao deixar o Monte Minobu juntamente com os discípulos.  No ano seguinte, em outubro do terceiro ano Sho-ô, estabeleceu o Templo Taissekiji na área de Fuji Ueno, graças à doação de Nanjo Tokimitsu.
  No Templo Principal,  no dia 7 de fevereiro, bem como todo dia 7 de cada mês, é realizada  a cerimônia em retribuição aos débitos de gratidão a Nikko Shonin em Mieidô, com a presença do Sumo Prelado.


 


  Otanjô-Ê do Fundador é um evento celebrado no dia 16 de fevereiro, a data do nascimento de Nitiren Daishonin, para comemorar e retribuir os débitos de gratidão pela aparição do Buda Original Nitiren Daishonin na Era do Fim do Darma (Mappô). 
  Numa época definida como Era do Fim do Darma, Nitiren Daishonin surgiu para salvar todos os seres.  Essa foi a profecia que o Buda Sakyamuni na Índia citou no Sutra de Lótus (Hokkekyo).  Denominamos os primeiros mil anos após a morte do Buda Sakyamuni da Era de Vigência do Darma (Shobô), os seguintes mil anos, de Era da Formalidade do Darma (Zobô) e os subsequentes, da Era do Fim do Darma (Mappô).  Nos 2 mil anos a que se referem ås Eras de Vigência e de Formalidade do Darma, eram possíveis os benefícios fundamentados nos ensinos do Buda Sakyamuni serem evidenciados, no entanto, ao entrar na Era do Fim do Darma, esse Budismo perdeu a força, provocando conflitos e discórdias e o coração da nação se arruinou, transformando-se em uma Era de desejos mundanos.  A citação acima nos ensina que o Budismo de Sakyamuni não pôde mais salvar a humanidade.  Em meio à essa situação, Nitiren Daishonin nasceu no Japão como o Buda Original para salvar todos os seres do Universo.
  No dia 16 de fevereiro do primeiro ano Sho-ô (1222), Nitiren Daishonin teve como pai, Nukijirô Shiguetada e como mãe, Umeguiku-nyo, nascendo na vila de Tojo Kominato na província de Awa (atual Província de Chiba).  Enquanto o Buda Sakyamuni faleceu no dia 15 de fevereiro, ocasião em que o Budismo de Sakyamuni se extingue, Nitiren Daishonin nasceu no dia 16 de fevereiro justamente quando ocorre a aparição do Buda Original, demonstrando, assim, uma mística relação causal (In-nen).
  No Templo Principal, a data é celebrada com a realização da cerimônia de Otanjô-Ê, sob a liderança do Sumo Prelado em Mieidô, com a leitura do Sutra em retribuição aos débitos de gratidão e depois é realizada “Otô-biraki” do Pagode de Cinco Andares com a leitura do Sutra e a recitação do Daimoku.
  “Otô-biraki” simboliza o surgimento de Daishonin na Era do Fim do Darma.  O Fato da face do Pagode de Cinco Andares estar voltada para o oeste, demonstra que o Budismo de Nitiren Daishonin irá se expandir em todo mundo, depois de passar pela China e Índia, tal como o sol que se nasce do leste e se põe para o oeste, iluminando, assim, o mundo todo.


 

 



  Denominamos  “Higan-Ê” a cerimônia realizada durante os 7 dias posteriores e subsequentes ao Dia de Equinócio de Primavera e de Outono quando o tempo do dia e da noite fica igual e o sol sobe exatamente do leste e se põe ao oeste.  Por essa razão, a cerimônia se realiza duas vezes ao ano, na primavera – dia 21 de março e no outono – dia 22 de outubro.
  A palavra “Higan” originou-se do sânscrito “paramita” (em japonês: haramitsu) que significa “chegando a outra margem”.
   “Higan-Ê” é uma das atividades amplamente celebradas no país como parte dos ensinamentos Budistas.  Não há registros de que esse evento seja celebrado na Índia e na China.  No Japão, parece que  vem sendo celebrado há muito tempo, talvez desde a época do príncipe Shotoku, por isso é um costume tipicamente japonês com a sua peculiaridade.  Houve mudanças nos detalhes da cerimônia de tempos em tempos, adaptando-se à cada época, mas atualmente, o oferecimento de orações em memória dos antepassados se tornou o procedimento principal.  Como resultado disso, a visita aos templos e o oferecimento de “tôba” (um pequeno pilar de madeira onde se escreve o nome do falecido) ou ainda a visita ao túmulo são considerados um procedimento comum.  
  Na realidade, o verdadeiro signficado de “Higan” é possibilitar a nós que vivemos neste momento, atingir a Iluminação Imediata e construirmos uma condição de vida repleta de felicidade,  Com esses benefícios, os quais evidenciamos na nossa vida, ao fazermos oferecimentos em memória dos antepassados, o espírito das existências passadas irá atingir o Estado de Buda (Iluminação) juntamente conosco.  No sentido de manter sempre essa condição, nós da Nichiren Shoshu colocamos todos os dias em prática o espírito de “Jô-Bon-Jô-Higan”, ou seja, eternamente Dia de Finados e de Equinócio, devendo fazer oferecimentos em memória dos antepassados, o que é totalmente diferente da forma de celebrar o “Higan” em outras seitas.  Isso quer dizer que a prática diária dos exercícios Budistas em si pode ser considerada como uma prática de “Higan”.
  O motivo pelo qual a Nichiren Shoshu celebra especificamente Higan-Ê de primavera e de outono, é por ser uma cerimônia com base na prática Budista para acumular benefícios e virtudes tanto para os adeptos quanto aos falecidos.   
  Como uma forma de conduzir os seres ao caminho da prática na Nichiren Shoshu, a cerimônia de Higan-Ê se tornou um evento comum na sociedade e foi adotada como uma atividade a ser celebrada perante o verdadeiro Gohonzon (Objeto de Devoção) e ainda, no sentido de ser uma ocasião para aprofundar a relação com o Gohonzon, ela é realizada como uma cerimônia importante na Nichiren Shoshu.


 



  Todos os anos, nos dias 6 e 7 de abril, a Cerimônia de Aeração de Tesouros do Budismo realizada no Templo Principal é uma das duas principais atividades da Nichiren Shoshu, sendo a segunda a Cerimônia de Gotai-Ê.  Visando a transmissão eterna às próximas gerações de grande número de preciosos e importantes tesouros que vêm sendo transmitidos durante muitos anos, i.e, há 700 anos desde a época de Nitiren Daishonin, uma vez por ano esses objetos são expostos para receber o tratamento necessário, retirando-se umidade e insetos para mantê-los preservados.  Ao mesmo tempo, eles são exibidos aos adeptos durante o evento para intensificarem e aprofundarem a prática da Fé.  Por essa razão, essa é uma cerimônia solene e importante da Nichiren Shoshu.
  Depois da morte de Nitiren Daishonin, os Cinco dos Seis Principais Discípulos, incluindo Nissho e Nitirô, disseram o seguinte: “As cartas de Nitiren Daishonin escritas em ‘kana’ (a forma de escrita mais simples, ao invés de ideograma chinês),  são documentos em agradecimento aos oferecimentos (Gokuyô) para orientar aqueles que lamentavam.(infomrar o que lamentavam)  A preservação dessas cartas seria para eles o mesmo que deixar a desonra (vergonha) de Nitiren Daishonin às próximas gerações.”, por isso eles as destruíram ou as queimaram.  Essa attitude mostra que os Cinco Velhos Bonzos que não têm o Legado da Veia Vital da Lei, não conseguiram compreender a importância, como segue: “Nitiren Daishonin é o Buda Original para salvar todos os seres.  Dessa forma, as palavras e as escritas que Nitiren Daishonin deixou em formas de cartas, são os preciosos dizeres de Buda e ,ainda, as nobres doutrinas.” 
  Além de ter tentado adverti-los sobre essa attitude errônea, o segundo Sumo Prelado Nikko Shonin que foi o legítimo sucessor de Nitiren Daishonin e se esforçou para coletar as Escrituras (Gosho) que estavam espalhadas em diversas partes e catalogou (compilou) as principais Escrituras, deixando explanações delas para as gerações futuras.  Ele mesmo pegou o pincel e transcreveu os documentos, para evitar que os Ensinos de Nitiren Daishonin desaparecessem.
  Seguindo esse espírito de Nikko Shonin, os sucessivos sumos prelados vêm protegendo esses preciosos Tesouros do Budismo com o risco da própria vida.


 


  A Cerimônia de Estabelecimento do Budismo é um evento em que se celebra, em retribuição aos débitos de gratidão, a data em que o Fundador Nitiren Daishonin da Era do Fim do Darma estabeleceu o Budismo, depois de ter feito a declaração recitando o Daimoku.  
  Após ter entrado no caminho do sacerdócio, Nitiren Daishonin passou em Kamakura, Hiei, Mitsui, Kôya e nas Seis Seitas de Nara (Nambu Rokushu), estudando todas as doutrinas, e assimilou a essência dos Sutras e Ensinos além de pesquisar a origem (causa) das ilusões, sofrimentos, infortúnios e calamidades originadas das respectivas seitas.  Enfim, Ele teve a certeza de que, de fato, a Verdadeira Lei é o Nam-Myoho-Rengue-Kyo que é o único e supremo ensino que conduz às Percepções Intrínsecas do Budismo.  Aos 32 anos de idade, na primavera do quinto ano Kentyô (1253), Nitiren Daishonin voltou à cidade de Awa,  sua Terra Natal, e analisou com cuidado meios para estabelecer o Budismo próximo do Mestre Dôzembô.
  Em 28 de março, no salão Jibutsudô do Mestre Dôzembô, Nitiren Daishonin refutou os ensinos errôneos das Seitas Zen, Nembutsu, entre outras, com base na doutrina da Lei Mística para todas as pessoas que Ele tinha profundas relações(explicar esta idéia) como o Mestre Dôzembô, Seus pais, irmãos, Jyôen-Bô e outros irmãos da prática da Fé e ainda revelou o Daimoku das Percepções Intrínsecas ao mundo. 
  Nitiren Daishonin, que ainda continuou com as meditações, um m­ês depois, em 28 de abril de madrugada, tomou uma grande decisão de enfrentar as Três Espécies de Poderosos Inimigos profetizados no Sutra de Lótus e subiu sozinho à floresta Kasagamori, que fica no topo do Monte Seicho-zan, aguardando assim o sol nascer no horizonte do Oceano Pacífico.  Tão logo o sol  brilhou, Nitiren Daishonin que estava com as palmas das mãos unidas, começou a ecoar a recitação do Daimoku: “Nam-Myoho-Rengue-Kyo, Nam-Myoho-Rengue-Kyo ….”.  Começou a recitar de forma firme e com fervor e solenemente o Daimoku da Semeadura que iluminaria as trevas de milhões de anos da Era do Fim do Darma.  Dessa forma, Ele fez a declaração de salvar todos os seres perante todas as vidas do Universo inclusive o sol.  Este é de fato o Daimoku que não poderia ser recitado por mais ninguém até o momento e é o Daimoku a ser praticado para si e para os outros (Jigyo Keta), ainda é uma abertura para propagação de Percepção Intrínseca.
  Nesse dia ao meio dia, Nitiren Daishonin mudou a forma de propagação da Lei Mística pela primeira vez diante de uma multidão no salão Jibutsudô do Templo Seichô-ji, marcando o primeiro passo rumo à concretização do Kossen-Rufu.  

  Ao ouvir essa preleção de Nitiren Daishonin, o proprietário da área de Awa Tôjô e um fervoroso crente da Seita Nembutsu Tôjô Saemon Kagenobu se enfureceu, perdendo o controle, tentando ferir Nitiren Daishonin.  Desde então, Ele deparou com inúmeros grandes e pequenos obstáculos e perseguições, colocando em risco a própria vida para propagar o Budismo realizando Shakubuku (ensinar o Budismo), dessa forma, Nitiren Daishonin leu e experimentou com a própria vida a profecia constante do Sutra de Lótus que dizia: “Os Três Obstáculos e Quatro Maldades irão ocorrer sem falta.”

  O fato de mencionar as duas datas em março e abril no documento de Nitiren Daishonin que estabelece o Budismo, isso porque existem dois significados de Percepção Intrínseca (Naishô) e Ação Corpórea (Gueyû).

 


  A cerimônia de “Daigyô-Ê” celebrada no dia 1o. de maio é um evento realizado para orar em memória ao Suserano Nanjô Shichirô Jirô Tokimitsu ou a Daigyô-Son, Senhor da área de Ueno que foi doada para estabelecer o Templo Principal Tassekiji.
  Nanjô Tokimitsu recebeu na própria residência o 2o. Sumo Prelado Nikko Shonin quando deixou o Monte Minobu por causa da calúnia à Lei, cometida pelo proprietário da área, Hagiri Sanenaga.  Isso foi no 7o. ano após a morte de Nitiren Daishonin.
  Além disso, ele estabeleceu a base do Templo Principal Taissekiji, juntamente com Nikko Shonin, doando Ôishigahara que fica ao sopé do Monte Fuji, sendo uma área com maravilhoso cenário, adequado para construir o Supremo Santuário do Portal Original, sendo uma pessoa que pode ser considerada um exemplo como adepto que dedicou a vida em prol do desenvolvimento e da proteção da Verdadeira Lei.
  Nos últimos anos da vida, Tokimitsu entrou no caminho do sacerdócio e recebeu o nome de “Daigyô”.  Por essa razão esta cerimônia é denominada de “Daigyô-Ê”.


 


  A cerimônia realizada todos os anos, no dia 15 de julho e agosto, em memória dos antepassados, com base nos ensinos Budistas, é chamada de “Obon” ou “Urabon”, a denominação completa.  Há hipótese de que, no Japão, “Urabon-Ê” começou a ser celebrada, depois de quase 100 anos quando o Budismo veio a se expandir pelo país, na época do 37o. imperador Saimei, mas a origem da celebração está na parábola que consta do Sutra Urabon.
  A terminologia “Urabon” pode ser traduzida como “T­ôken”, uma expressão proveniente da mundaça sonora do hindu da Antiga Índia.  Foi assim dita fazendo uma analogia a uma situação em que os sofrimentos (a agonia) pela fome e sede no Estado de Fome estarem presos de cabeça para baixo.  Inclusive no Sutra Urabon, há pregação de realizar oferecimentos (Kuyô), colocando centenas de bebidas e alimentos em bandejas para salvar pessoas que estão sofrendo ao cair no Estado de Inferno.  A origem do termo “Bon” vem desse objeto (bandejas).  Seja qual for a situação, a cerimônia tem a finalidade de eliminar os sofrimentos dos espíritos dos antepassados para conduzi-los à Iluminação. 

VISITA AO CEMITÉRIO DO TEMPLO PRINCIPAL
  Na Nichiren Shoshu, diz-se “Jô-Bon-Jô-Higan”, por isso devemos ter a postura de que todos os dias são “Obon” e “Ohigan”, o que é desnecessário dizer que não devemos negligenciar em fazer oferecimentos em memória dos antepassados.  No entanto, o fato de reservarmos uma data especial para “Urabon-Ê” possui um significado especial.
  Isto é, ao mesmo tempo em que se realiza o oferecimento aos antepassados, faz-nos reavaliar a postura da prática da Fé de cada um de nós e ainda, àqueles que realizam a cerimônia de Urabon-Ê com base nos ensinos errôneos, devemos ensiná-los o verdadeiro significado de “Obon” e inclusive fazê-los refletir e reconhecer o real sentido da Iluminação.  No sentido de aprofundar as relações causais com o Gohonzon cada vez mais, podemos dizer que esse é um evento de suma importância.  
  No entanto, embasado no profundo princípio da “Iluminação das Plantas e Ervas”, devemos erigir o pilar (toba) e orar pela salvação do espírito dos antepassados, por isso é possível proporcionar-lhes paz e tranqüilidade na Terra Pura do Pico d’Águia ao receber os benefícios do Myoho-Rengue-Kyo que, em memória, foi transcrito no pilar de cada um dos falecidos.
  Seja qual for a situação, o fundamental é que a própria pessoa, em primeiro lugar, consiga desfrutar de uma condição de Estado de Buda, junto ao Gohonzon que nos salva da escuridão de milhões de anos da Era do Fim do Darma.  Compartilharmos esses benefícios com os antepassados possui de fato o verdadeiro sentido de celebrarmos o Urabon-Ê e podemos dizer que, na época atual que é a Era do Fim do Darma, apenas a NIchiren Shoshu realiza de forma correta a cerimônia de Urabon-Ê.


 


  “Gonan-Ê” é uma cerimônia realizada para retribuirmos os débitos de gratidão como também celebrarmos a Perseguição de Tatsunokuti enfrentada pelo Fundador Nitiren Daishonin, em 12 de setembro do 8o. ano Bun’ei (1271).
  A vida de Nitiren Daishonin pode ser expressada com a seguinte frase: “Não houve pessoa como eu, Nitiren, que tenha sido amplamente conhecido e de ser oposto.”Comentário: explicar o sginificado de oposto) (Shimpen 739)  Tal como essa citação, diz-se que “Sofreu grandes obstáculos por quarto vezes e os pequenos foram incontáveis.”, Ele passou por uma série de grandes obstáculos  os ilustres mestres de Propagação como Ryuju, Tenjin, Tien’tai, Dengyo entre outros, igualando-se a eles.  Entre os grandes obstáculos que Ele passou por quarto vezes, a Perseguição de Tatsunokuti ocorrida em 12 de setembro possui um profundo significado sob o ponto de vista Budista.
  No aspecto geral, a Perseguição de Tatsunokuti ocorreu, em primeiro lugar, devido à prática de Shakubuku por Nitiren Daishonin para refutar as seitas heréticas; em segundo lugar, a ofensa de Hojô contra Nitiren Daishonin e em terceiro, a admoestação diretamente ao governo feudal, mas o motivo principal foi a admoestação que Nitiren Daishonin realizou diante do governo feudal. 
  Diante do perigo em que Nitiren Daishonin estava preste a ser decapitado, ocasião em que a mais grave punição nunca vista seria executada, ocorreu uma grande mudança na vida de Nitiren Daishonin.
  Na noite do dia 12 de setembro do 8o. ano Bun’ei (1271), Nitiren Daishonin saiu de Kamakura, na hora do boi, Ele seria decaptado em Tatsunokuti.  Mas, um objeto estranho e brilhante veio voando de um local distante de Enoshima para noroeste e a visão do guerreiro que iria decapitar Nitiren Daishonin com a espada, se ofuscou, não conseguindo, dessa forma, concluir o serviço. 
  No horário entre o rato e o boi, existe um profundo significado do ponto de vista do Budismo.  Horários de Rato e Boi marcam o fim da escuridão e da morte e do Leão representa o início do dia (claridade) e da vida.  A maioria dos Budas como Sakyamuni se tornou Buda nas horas entre Boi e Leão.  Isso quer dizer que as horas entre o Rato e o Boi do dia 12 de setembro do 8o. ano Bun’ei registram o fim da Morte de Nitiren Daishonin como um mortal comum e a hora do Boi marca o início da vida de Nitiren Daishonin como Buda Original.  Nessa ocasião, Nitiren Daishonin revelou a verdadeira identidade como Buda Original da Era do Fim do Darma a partir da posição de um mortal comum.

                Assim, é realizada todos os anos no dia 12 de setembro a cerimônia de Gonan-Ê, ao mesmo tempo que retribuímos os débitos de gratidão ao Buda em relação a Nitiren Daishonin, apresentamos nosso agradecimento pelas Suas Perseguições sem precedências e ainda renovamos nossa decisão em prol do Kossen-Rufu, sendo nesse sentido que a cerimônia é realizada.

 


  O 3o. Sumo Prelado Nitimoku Shonin foi uma pessoa de grande habilidade para debate.  Diz-se que ele apresentou a Carta de Admoestação para  governantes como imperadores e líderes feudais por 42 vezes no lugar de Nitiren Daishoinin e do 2o. Sumo Prelado Nikko Shonin.  A sua postura de se dedicar em servir sempre ao Gohonzon próximo a Nitiren Daishonin, trouxe-lhe  respeito por longos anos como modelo para todos os reverendos e adeptos.
  Os discípulos e adeptos que o veneram pela sua nobre virtude, celebram a cerimônia em retribuição aos débitos de gratidão do fundo do coração no dia 15 de novembro, na data do falecimento de Nitimoku Shonin.  Esse é evento que se chama “Mokushi-Ê”. 
  É desnecessário mencionar que Nitimoku Shonin serviu Nikko Shonin em Monte Minobu, como ele serviu e obedeceu sempre às ordens do mestre até o dia em que Nitiren Daishonin faleceu, além de receber as profundas doutrinas de Nitiren Daishonin.
  Em outubro do quinto ano Kô-an (12..), mesmo após a morte de Nitiren Daishonin, ele serviu sempre o 2o. Sumo Prelado Nikko Shonin e quando ele deixou o Monte Minobu ,no 2o. ano Shoô (1289) por ficar dominado por calúnia à Lei (Hôbô) e mesmo na ocasião da mudança para Fuji Ueno, Nitimoku Shonin ajudou Nikko Shonin, tornando-se o seu braço direito.
 As diversas admoestações que Nitimoku Shonin realizou às autoridades e aos feudos, foram com o mesmo sentimento de Nitiren Daishonin e Nikko Shonin e a luta de coragem e bravura foi realizada durante toda a sua vida.
  O espírito de Nitimoku Shonin devotado em prol do Kossen-Rufu sem poupar a própria vida deve ser transmitido para a eternidade.  Na NIchiren Shoshu, é celebrada sinceramente a cerimônia em retribuição aos débitos de gratidão tendo como exemplo essa nobre atitude de não poupar a própria vida e corpo debilitado pela Lei, pelo país e ainda para a salvação de todos os seres.
  Não apenas no Templo Principal, evidentemente é celebrada, todos os meses no dia 15, a cerim­ônia em retribuição aos débitos de gratidão a Nitimoku Shonin em Mieidô sob a liderança do Sumo Prelado.(ccomentário: onde mais e celebrado?)


 


  A cerimônia de Gotai-Ê (ou Oeshiki) é um ritual para celebrar o falecimento e não-falecimento do Fundador Nitiren Daishonin que faleceu no dia 13 de outubro do quinto ano Kô-an (1282), o que representa o aspecto que estará sempre presente nas Tr­ês Existências.  Essa é uma das duas mais importantes cerimônias celebradas no Templo Principal, sendo a outra a cerimônia de Tesouros do Budismo realizada na primavera.
  A terminologia “Eshiki” se referia, na realidade, a cerimônias realizadas na corte, sendo adotada nas cerimônias celebradas na Nichiren Shoshu.  Entre elas, a celebração  no dia 13 de outubro é de suma importância, por essa razão ela é chamada na Nichiren Shoshu de cerimônia de Gotai-Ê desde os tempos primórdios.
  A cerimônia de Gotai-Ê (Oeshiki) é realizada  no Templo Principal como também em todos os templos do país.  Ao mesmo tempo, são confeccionados flores de cerejeiras para ornamentar o santuário no dia do evento.
  No Templo Principal, o evento é realizado atualmente durante dois dias, no dia 20 de novembro, a cerimônia de Otaiya, vesperal e, no dia 21, a cerim­ônia de Goshotô, exatamente na data.  O motivo pelo qual se celebra nessa data é porque o dia 13 de outubro do 5o. ano Kô-an no calendário lunar corresponde a 21 de novembro do mesmo ano no calendário solar.
  Nitiren Daishonin faleceu serenamente na residência de Ikegami Saemon-no-Taiyu Munenaka, em Bushu (atual Tokyo), no dia 13 de outubro do 5o. ano Kô-an, enquanto um grande número de discípulos e adeptos recitavam o Sutra e o Daimoku.  De acordo com o “Registro do Falecimento de Nitiren Daishonin, escrito por Nikko Shonin, o falecimento ocorreu na hora de dragão que hoje corresponde por volta das 8 da manhã.  Nessa ocasião, a terra estremeceu e, apesar de estar em outubro, as flores de cerejeiras do jardim da residência de Ikegami se abriram.
  Ao mesmo tempo que toda a vida do Universo tenha lamentado a Morte do Buda Original da Era do Fim do Darma,  podemos entender que esses fenômenos estão celebrando o Falecimento e não-Falecimento do Budismo.
  A cerimônia de Oeshiki celebrada de forma geral em outras seitas é para honrar a morte de Nitiren Daishonin, mas como a Nichiren Shoshu  venera Nitiren Daishonin como Buda Original da Era do Fim do Darma, o falecimento quer dizer o não-falecimento, por isso é um ritual que apresentamos a alegria e respeito pela nobre condição de vida de Nitiren Daishonin como Buda Original para toda eternidade.
  E a cerimônia de Oeshiki realizada em todos os templos do país está determinada para ser celebrada anualmente nos meses de outubro e novembro.